Definition of resilience

"In the context of exposure to significant adversity, resilience is both the capacity of individuals to navigate their way to the psychological, social, cultural, and physical resources that sustain their well-being, and their capacity individually and collectively to negotiate for these resources to be provided in culturally meaningful ways" (www.resilienceproject.org)

domingo, 25 de abril de 2010

Resiliência Familiar

As famílias de hoje e de amanhã são caracterizadas por uma crescente diversidade nos padrões de estrutura, sexo, orientação sexual, cultura, classe e ciclo de vida. Os debates sobre o futuro da família atingiram um ponto de ansiedade vulnerável quanto à vida contemporânea na era pós-moderna. As famílias estão lutando com perdas reais e simbólicas na medida em que os arranjos familiares se alteram e o mundo que as cerca se modifica. Muitas se sentem à deriva em seus próprios botes salva-vidas em um mar turbulento. Os mitos da família ideal aumentam a sensação de deficiência e fracasso das famílias em transição. Há uma sensação disseminada de desorganização e confusão sobre a própria estrutura e significado dos relacionamentos familiares – sobre o que é “normal” (isto é, típico e possível de ser esperado) na vida familiar e como construir famílias “saudáveis” (isto é, com um bom funcionamento). Desorientadas e inseguras, muitas lutam para se manter dentro dos padrões familiares e também questionam os modelos familiares idealizados do passado que não se ajustam a sua situação, necessidades e desafios atuais. No entanto, muitas famílias hoje estão mostrando uma notável resiliência, extraindo o melhor de suas situações e inventando novos modelos de conexão humana.
(WALSH, Froma, Fortalecendo a Resiliência Familiar, Ed. Roca, SP, 2005, p. 34)

terça-feira, 13 de abril de 2010

PREVENÇÃO ÀS DST/AIDS COM FOCO NOS MECANISMOS DE PROTEÇÃO

Quando se realiza ações de prevenção às DST/aids geralmente se focaliza as falhas, as dificuldades e a falta de recursos da pessoa e da comunidade para conseguirem se proteger da possibilidade da infecção, ignorando os mecanismos que elas podem apresentar para potencializar essa proteção. A escuta é para os erros já cometidos, os riscos corridos, os abusos apresentados (uso de álcool e outras drogas, violência, múltiplas parcerias, pobreza, etc), ou seja, para os fatores de risco que são apresentados.

É preciso pensar que a aplicação dos fatores de risco nos projetos de prevenção muitas vezes leva à identificação, rotulagem e estigmatização das pessoas, suas famílias e suas comunidades, gerando culpa e hiper-responsabilização, por não terem conseguido enxergar ou fazer uso dos mecanismos de proteção a que têm acesso em todas as esferas em que eles podem ser encontrados.

Reconhecer e valorizar os esforços do sujeito (individual ou coletivo), mesmo que tenha falhado em alguns aspectos, pode ajudar a melhorar os seus próximos passos para se proteger. Ainda, realizar uma análise da resiliência desse sujeito para lidar com as adversidades da vida e sair fortalecido de situações difíceis pode indicar suas fortalezas e possibilidades de realizar prevenção para uma série de infecções. Assim, auto-estima adequada, bom humor, espiritualidade, autonomia, boa rede social, bom relacionamento familiar, inclusão social são potencialidades que podemos reconhecer no sujeito para protegê-los da infecções por DST/aids.

A seguir, algumas questões para se levar em conta nas três esferas onde se encontram os mecanismos de proteção de que o sujeito pode fazer uso.

1- Esfera individual
A- Informação: é preciso reconhecer as potencialidades do sujeito para buscar informação e fazer uso racional dela. Nesse sentido, não basta o sujeito acessar informação, mas perceber como ela pode se usada como proteção. Para se ler uma informação deve se levar em conta a capacidade cognitiva do sujeito, seus preconceitos, seu foco de vida no momento e a linguagem usada pelo informante. Por exemplo, o sujeito pode saber que a camisinha diminui os riscos da infecção pelo HIV, mas mesmo assim permitir que outras questões ou dificuldades impeçam seu uso (o tesão do momento, a vontade de transar sem, ceder ao apelo da parceria para o não uso, realizar penetração sem ter a camisinha disponível para não perder a oportunidade, etc). É preciso reconhecer e incentivar a capacidade do sujeito de buscar informação, degluti-la e fazer uso adequado dela, usando todas as tecnologias necessárias para isso.

B- Diálogo: pode-se incentivar o sujeito a melhorar a comunicação com a parceria, principalmente em relacionamentos fixos e/ou monogâmicos. O uso efetivo da comunicação permite que se reconheçam os desejos, limites e fortalezas do outro e que se possam negociar as regras do relacionamento, se ele será aberto ou fechado, com uso ou não do preservativo, com uso de métodos anticoncepcionais, com prática de fantasias eróticas, com enfrentamento de conflitos, etc. Fortalecer a escuta do sujeito para as demandas da parceria fará com que as crises do relacionamento sejam resolvidas com maior brevidade e que o casal cresça com essas situações, além de aumentar a possibilidade da prática de sexo mais seguro.

C- Saúde integral: é preciso reconhecer e incentivar no sujeito sua capacidade para o cuidado com sua saúde integral. Estimular a realização de papanicolao, mamografia e auto-exame das mamas é uma forma de fazer com que a mulher consiga prevenir uma série de doenças e também aprenda a conhecer melhor o seu corpo. Estimular o auto-exame dos mamilos e dos testículos e a realização de exame de próstata a partir da idade indicada permite ao homem prevenir cânceres que atingem esses órgãos. A ambos, principalmente aos adolescentes, é preciso incentivar uma higiene adequada dos órgãos genitais, com o objetivo de evitar inflamações e abertura de portas de entrada para agentes infecciosos.

2- Esfera social
A- Laços sociais: é preciso reconhecer e estimular no sujeito sua capacidade para estabelecer laços sociais, sua facilidade de fixar relações, sejam elas familiares, no trabalho, escola, igreja e na comunidade em geral. Isso fortalece suas chances de buscar recursos para se proteger quando estiver frente à possibilidade de contrair DST/aids e outra infecções, informando-se melhor sobre as formas de transmissão e proteção, retirando preservativos e buscando tratamento. Quanto à comunidade, estimular o contato com outras comunidades e com projetos bem sucedidos de prevenção, reconhecer lideranças e incentivar sua capacitação pode aumentar o laço social da comunidade consigo mesma e com o social ampliado.

B- Questões de gênero: pode-se aumentar no sujeito sua capacidade de compreensão da diferença cultural entre os sexos, percebendo como a questão de gênero pode interferir em seus relacionamentos, dificultando o acesso aos cuidados com a saúde integral. Mostrar-lhe ainda que discutir essa questão pode contribuir para a melhora do relacionamento conjugal, permitindo-lhe repensar as dificuldades na negociação do sexo seguro, na divisão da responsabilidade pela anticoncepção e reconhecer situações de violência que podem ocorrer no relacionamento

3- Esfera Governamental
A- Pensamento crítico: é preciso reconhecer e estimular no sujeito o uso do pensamento crítico, permitindo que perceba quais são as questões políticas envolvidas no seu cuidado com a saúde (que dificultam ou facilitam o acesso aos serviços de saúde) e qual sua contribuição enquanto cidadão para essa questão. Conhecer os serviços públicos de seu bairro, informar sua comunidade a respeito, participar de conselhos gestores é uma forma que possui de se apropriar das decisões que interferem diretamente no seu bem-estar, de sua família e de sua comunidade.
B- Proposição: conhecer, questionar e se mobilizar permite ao sujeito propor à esfera governamental projetos de prevenção às DST/AIDS e de saúde em geral na sua comunidade e lutar para que eles sejam executados.

Um sujeito resiliente não é apenas aquele que consegue superar suas dificuldades e aprender com elas, mas também aquele que consegue compartilhar seu aprendizado com outros sujeitos e formar uma rede de apoio. Isso importa muito para os projetos de prevenção que pretendem trabalhar com as fortalezas do sujeito, com o seu “dar a volta por cima” e não somente com sua possibilidade de queda.

domingo, 11 de abril de 2010

VOLTA POR CIMA
Paulo Vanzolini

Chorei
Não procurei esconder
Todos viram, fingiram
Pena de mim não precisava
Ali onde eu chorei
Qualquer um chorava
Dar a volta por cima que eu dei
Quero ver quem dava
Um homem de moral
Não fica no chão
Nem quer que mulher
Lhe venha dar a mão
Reconhece a queda
E não desanima
Levanta, sacode a poeira
E dá a volta por cima

quinta-feira, 1 de abril de 2010

CONSTRUÇÃO DE RESILIÊNCIA NO PROCESSO EDUCATIVO FORMAL

Educar não é uma tarefa das mais simples, principalmente quando a mensagem que se transmite para essa finalidade não é clara, sustentada e contextualizada. Paulo Freire mostrou muito bem isso no seu ensino. Nesse sentido, o educador precisa se despojar: de seus preconceitos, de sua sabedoria, de seus achismos, mesmo de seus cientificismos. Ele precisa se abrir para uma nova criatura que aporta com seu desejo de aprender e descobrir o mundo. Sim, o professor é um porto, com suas regras, suas formalidades; mas também é um mundo novo, servindo apenas de ancoragem, sabendo que o educando veio e também irá partir no momento oportuno.

Educar um jovem é tarefa ainda mais complicada, pois ele já possui algo firme e constituído, sua personalidade está a meio caminho de torná-lo que é ou quer ser, seu raciocínio é lógico e abstrato, ou seja, age, mas também reflete. Porque reflete, questiona, causando mal estar quando se opõe à autoridade instituída (à instituição escolar, ao diretor, ao professor, ao inspetor, às vezes a outros colegas). Sim, o jovem é bastante competente para se opor à autoridade, ao mesmo tempo em que pede um pouco de ordem. Como reagir da forma como ele deseja?

Mesmo criticando e questionando o saber que se lhe outorga, o jovem costuma aceitar desafios. Isso é importante, pois a partir desse ponto podemos desafiá-lo a construir algo positivo, a buscar seu próprio conhecimento, a estabelecer regras que se coadunem com as da autoridade, aprendendo a negociar, a se posicionar politicamente, a questionar de forma amadurecida.

Essa oportunidade de investimento deve ser oferecida a todos os jovens, independentemente de seu interesse, de seu grau de inteligência, de seu grau social, de sua referência de contexto. Assim, não se deve abandonar os jovens que não amadurecem de acordo com o pré-estabelecido, ou aqueles muito sofridos, que muitas vezes achamos que não renderá como queremos, pois negativamos algumas situações, como estado de pobreza, miséria afetiva, família desestruturada e adicções sem fim, dando o jovem por perdido.

Volto a reforçar a importância do professor como alguém que pode reconhecer as potencialidades dos jovens e focar sua atuação nesses pontos positivos, pois eles podem apontar para a capacidade desses jovens de superação de suas dificuldades, mostrando que eles possuem resiliência e que esta pode ser promovida no campo da educação formal. Nesse sentido, os professores podem se tornar tutores de resiliência, fomentadores de descobertas e ações que tornem seus educandos vencedores, não só na área da educação, mas também na afetiva, tornando-os aptos para a vida, adaptando-se em sua sociedade (limpando todo o ranço ideológico que podem conter as palavras “vencedor” e “adaptação”).

Sabemos o quanto pode ser complicado o professor ir além do papel de quem ensina, tornando-se um educador para a vida. Em muitos contextos ele pode se perder entre ser um representante da lei (com conhecimentos, regras, punições e controlador do tempo) e um elo entre o educando e a sociedade. Mas ser um educador, melhor ainda ser um tutor de resiliência, permite que entre em contato afetivo com esses jovens, perceba suas necessidades e suas potencialidades e seja uma ponte para o crescimento deles.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

"Casita" da resiliência - veja texto abaixo


LA CASITA – MODELO DE PROMOÇÃO DE RESILIÊNCIA

Em 1995, o sociólogo e demógrafo Stefan Vanistendael, do BICE (Bureau International Catholique de l’ Enfance, uma ONG suíça que luta pelos direitos das crianças), formulou, a partir de pesquisas e experiências práticas, cinco elementos principais para a promoção da resiliência em crianças: redes de apoio social, busca pelo sentido da vida, aptidões e sentimento de controle da própria vida, auto-estima e senso de humor. Em 1996, para que fosse mais bem compreendido o tema, ele criou uma metáfora que chamou “la casita” (a casinha), termo que, sem ser traduzido, ficou internacionalmente conhecido.

Nessa “Casita” cada instância representa um campo de intervenção possível para os que querem contribuir para PROMOVER a resiliência. São sugestões que cada pessoa ou instituição deve levar em contar para cada situação concreta e, por conseguinte, atuar de acordo com as necessidades e as possibilidades que essa situação oferece.

Em primeiro lugar está o alicerce, a base sobre a qual a “casa” será construída. Trata-se aqui das necessidades materiais básicas (comida, saúde, casa, sono, vestuário, etc). No subsolo (incluindo o porão) estão as redes de relações sociais (família, escola, clubes, a comunidade e outros) e no coração dessas redes se situa a aceitação profunda da pessoa (aceitação por si e pelo outro).

No térreo (primeiro piso) encontramos uma capacidade fundamental, o sentimento de estar vivo e qual o sentido da vida, questão que pode ser colocada através de uma filosofia que consiste em apreciar plenamente a existência e encontrar coerência para nosso viver. Este nível é o dos projetos pessoais concretos, que devemos encontrar para cada pessoa. O descobrimento do sentido não é uma tarefa individual da criança, podendo ser ativado pelos adultos.

No segundo piso encontramos três cômodos: a autoestima, as competências e atitudes e o humor. Igual a uma casa, os cômodos possuem comunicação entre eles, os campos estão interligados. Assim, a autoestima está em estreita relação com outros elementos, como a aceitação do outro, por exemplo.

No telhado (incluindo o sótão) se encontra a abertura a novas experiências, a capacidade de se entregar a sentimentos profundos e o aprofundamento do sentido da existência pessoal.

O desenho de cada casita é dinâmico e varia conforme as culturas e as realidades pessoais e coletivas. Pode aplicar-se à análise de um determinado grupo religioso, auxiliando a discernir em que domínio, ou peça da casa, seria importante incentivar os esforços, o que permitiria enxergar tanto os elementos que podem ser construídos quanto visualizar os elementos da casita que foram fragilizados ou destruídos.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Veja abaixo clipe da nova versão de "We Are the World"

da Folha Online
Cantores, rappers e atores famosos gravaram uma nova versão de "We Are the World", em prol das vítimas do terremoto no Haiti, 25 anos após a mesma canção servir de alerta para o mundo sobre fome na África. O clipe, lançado oficialmente nesta sexta-feira (12), pode ser visto a seguir.

Nomes como Barbra Streisand, Tony Bennett, Nicole Scherzinger (Pussycat Dolls), Miley Cyrus e Celine Dion, além dos rappers Kanye West, Snoop Dogg, Drake, LL Cool J e Will.i.am (Black Eyed Peas), participam da produção, que não contou com nenhum dos participantes da versão anterior. No entanto, o estúdio em Hollywood foi o mesmo, assim como a direção artística de Quincy Jones e Lionel Richie, um dos autores da música.

We are the world - nova versão

sábado, 6 de fevereiro de 2010

A Resiliência da Nação Haitiana


ESTAR PREPARADO SEMPRE!!! Esse deveria ser o lema de indivíduos e comunidades que reconhecem seus riscos, que conseguem avaliar sua intensidade e que possuem ou constroem fatores de proteção adequados e suficientes ao seu redor para se protegerem e se recuperarem dos efeitos das adversidades durante sua vida. Estar preparado é uma necessidade vital e evita ou minimiza o confronto com situações catastróficas e traumáticas, sejam elas naturais (que nem sempre são tão naturais assim) ou construídas pelo homem. No nível individual, o principal é CONHECER, tornar-se sabedor; no nível comunitário, ou enquanto nação, o importante é a ELABORAÇÃO e APROVAÇÃO de políticas públicas.

O sujeito pode realizar periodicamente avaliações de seu risco e tomar precauções necessárias para evitá-los. Mesmo assim, conhecer não quer dizer se proteger. Mas, convenhamos, para a maioria das pessoas o mais saudável é sim evitar o risco tomando medidas necessárias para se afastar deles.

A comunidade geralmente toma conhecimento dos riscos quando eles ocorrem e, na maioria das vezes, mas nem sempre, toma as devidas precauções para que eles não voltem a se repetir. Nem sempre se tem condições de fugir do risco, pois no nível individual podem não haver possibilidades para isso (os recursos individuais nem sempre dão conta de superar as adversidades do meio social). Muitas vezes a comunidade sozinha consegue promover situações para evitar novos riscos, mas não raramente ela tem que recorrer a outras comunidades ou aos governos locais e nacionais para isso.

Nesse sentido, algumas coisas são necessárias, como as seguintes.

No nível individual: ter pessoas ao seu lado em quem você confie e que te auxiliem quando está doente ou em perigo; ser uma pessoa querida e amada pelos outros; estar satisfeito por fazer coisas boas para os outros; ser respeitoso consigo mesmo e com os outros; ter certeza de que as coisas vão dar certo; consiga conversar com as pessoas sobre coisas que te amedrontam e te incomodam; consiga encontrar formas de resolver os problemas que aparecem; etc.

No nível comunitário: que a comunidade construa um bom suporte social, atendendo as necessidades de todos os indivíduos; que estabeleça redes comunitárias internas e externas a ela; que mantenha seus ritos e costumes; que tenha regras claras sobre convivência; que eleja representantes que lhe dêem retorno quanto a suas necessidades; etc.

E ENQUANTO NAÇÃO?

“O que é uma nação? Nação, do latim natio, de natus (nascido), é a reunião de pessoas, geralmente do mesmo grupo étnico, falando o mesmo idioma e tendo os mesmos costumes, formando, assim, um povo, cujos elementos componentes trazem consigo as mesmas características étnicas e se mantêm unidos pelos hábitos, tradições, religião, língua e consciência nacional” (ver o termo na wikipedia). No entanto, essas características por si só podem não constituir uma nação, sendo sua mais forte característica o vínculo que as pessoas mantêm entre si, seu sentido de coletivo, sua consciência de nacionalidade.

O sentido de uma nação deve estar o tempo todo sendo constituída e reconstituída. Constituída através de sua cultura, de seus ritos e costumes, de suas leis; reconstituída a cada vez que sua identidade é destruída ou abalada, como em guerras, grandes catástrofes naturais, epidemias, etc. Essa reconstituição se dá tanto pelas ações do poder instituído (tanto local quanto nacional e internacional) quanto pelas ações do próprio povo. Podemos dizer que essa identidade, esse sentir-se como uma nação, essa capacidade de reconstituir-se mesmo depois de grandes adversidades é o que chamamos de resiliência, podendo esse conceito ser aplicado a um coletivo, a um país, a uma nação.

Pensando na resiliência (capacidade de recuperar-se de grandes adversidades e até mesmo sair-se fortalecido depois de superá-las) de uma nação frente a catástrofes naturais, é possível estabelecer um antes e um depois.

O antes se compõe do conhecimento, da medida da possibilidade dessa catástrofe ocorrer. Quanto maior o conhecimento, seja ele histórico, tecnológico, seu grau de previsibilidade (e com quanto tempo de antecedência), seu grau de destruição, mais fácil será a preparação para sua ocorrência (já que, por ser natural, é inevitável; o que é possível é diminuir seu grau de destruição). Outras ações que podem ser realizadas antes: preparar a população para a ocorrência do fenômeno, seja evacuando locais, seja ensaiando as pessoas para buscar a melhor forma de se proteger; e construir edificações que resistam ao impacto do fenômeno.

Pensando no Haiti e pensando no terremoto ocorrido no dia 12 de janeiro de 2010, podemos afirmar que a nação haitiana não estava preparada para absorver o impacto (físico, social, moral) de um terremoto com tal grau de magnitude. Não estava preparada tecnologicamente, politicamente, economicamente, estruturalmente e mesmo moralmente. Inicialmente, façamos uma comparação com o Japão. Não é uma comparação muito razoável, já que o Japão tem outra estrutura política, econômica e cultural, mas basta para entendermos o que é estar preparado.

Em 2002 a cidade de Yokohama lançou seu Manual de Prevenção de Desastres para os Estrangeiros de Yokohama (pode ser acessado pelo link www.city.yokohama.jp/me/anzen/kikikanri/foreigners/manual_p.html). Na parte sobre terremotos, é assumido que o Japão é um “país propenso a terremotos”, há uma explicação científica para esse fato e uma contextualização histórica de suas ocorrências. Por fim, admite-se a necessidade de um preparo constante, pois novos terremotos com certeza irão ocorrer.

Crianças do ensino elementar também participaram da simulação. Essa sumulação tem o objetivo de conscientizar e preparar a população em casa ou outros locais para agir adequadamente nas situações de emergências que a ocorrência de um terremoto provoca, tais como pessoas entrando em pânico e se pisoteando, dificultando a evacuação de um local de risco, engarrafamentos, etc.

A população é orientada a sempre manter um estoque de comida e água para toda a família por pelo menos três dias; outros objetos também serão úteis caso seja preciso ficar vários dias em um abrigo. A mala com esses objetos, assim como os alimentos, deve ficar em lugar visível e de fácil acesso. Uma lista de ações também é repassada para a população, com questões tais como qual é o lugar mais seguro em casa, qual é o melhor caminho para evacuação, quem cuidará de crianças e idosos, etc. Além de treinamentos, o Japão investe em engenharia moderna para prevenir tragédias (como prédios inteligentes que conseguem resistir ao impacto de terremotos e continuar em pé).

E quanto ao Haiti?

Em relação ao conhecimento da probabilidade de ocorrência de terremotos na ilha, o governo haitiano recebia relatórios de estações meteorológicas americanas com certa freqüência e a mídia, de alguma forma, repassava essa informação à população. Na verdade, o país já sofreu em várias ocasiões terremotos de baixa e média intensidade na escala Richter, mas nunca foi elaborado um plano de prevenção e de fuga para quando ocorresse um fenômeno de alta intensidade.

Um dos fatores que podem explicar essa despreparo é a situação política e econômica irregular com a qual o Haiti sempre conviveu, desde 1957 quando foi eleito para presidente François Duvalier (Papa Doc), depois sucedido por seu filho Jean-Claude Duvalier (Baby Doc) até 1988; os dois governaram o país como ditadores e usurparam sua economia e sua liberdade política. A partir da deposição de Baby Doc o pais tentou viver, sem muito sucesso, uma onda de democracia. Os últimos acontecimentos políticos tiveram início em 2004, quando o presidente em exercício pediu auxílio às Nações Unidas para apoiar uma transição política pacífica e constitucional e manter a segurança interna. Nesse sentido, o Conselho de Segurança (CS) da ONU aprovou o envio da Força Multinacional Interina (MIF), liderada pelo Brasil, que prontamente iniciou seu desdobramento e continua no Haiti até hoje.

Com uma economia sempre degradada e fragilizada, o governo haitiano nunca conseguiu investir de forma adequada na estrutura do país e na educação e saúde da população, principalmente no preparo para a ocorrência de catástrofes. Nesse sentido, as construções são antigas e sem nenhuma possibilidade de resistir a tremores (ocorrem quedas dessas construções, com soterramento de pessoas, mesmo sem a ocorrência de terremotos!), não existem normas rígidas de ocupação do solo, o povo nunca foi treinado para agir nessas situações (nem antes e nem depois de uma grande catástrofe) e a saúde não se preparou para evitar epidemias de doenças depois dessas ocorrências; ou seja, ações que podem reduzir a vulnerabilidade dos grandes aglomerados populacionais nunca foram verdadeiramente efetivadas.

Pela sua história, pela pouca capacidade de reagir e superar suas dificuldades, pela repetição de problemas em diversas áreas, pode-se dizer que a nação haitiana possui pouca resiliência. Para aumentar essa resiliência, a partir da recuperação necessária em função desse último terremoto ocorrido, intervenções importantes precisam ocorrer, com os esforços sendo direcionados não apenas para a redução de conseqüências negativas ou mau ajustamento entre os grupos atingidos, mas também para a promoção de dimensões de adaptação positiva ou competência; as intervenções devem ser desenhadas para reduzir influências negativas (fatores de vulnerabilidade) e para capitalizar recursos específicos com populações particulares; os esforços de intervenção devem ter como objetivo estimular serviços que eventualmente possam se tornar auto-sustentáveis, podendo, assim, dar sustentabilidade e poder de resistência ao Haiti.

domingo, 17 de janeiro de 2010

Construindo Famílias Resilientes

O texto abaixo foi escrito por uma instituição de saúde canadense e traduzido por mim (posto o original em inglês no final da tradução). Apesar de não considerá-lo um texto muito bom sobre resiliência, pois carrega um tanto de ideologia e "moralismo", é um exemplo de como se deve pensar a promoção da resiliência familiar. Todo comentário será bem-vindo.


CONSTRUINDO FAMÍLIAS RESILIENTES


ALBERTA HEALTH SERVICE

“A informalidade da vida familiar… que nos permite tornar nosso melhor enquanto observamos nosso pior” (Marge Kennedy)

As pessoas que mais impactam nossa vida e formam o que somos são nossa família. Famílias saudáveis provêm segurança, suporte, amor e experiências positivas de vida, que possuem um papel vital em como aprendemos, crescemos e respondemos às mudanças. Nós aprendemos de nossas famílias a respeito dos relacionamentos e das habilidades para lidar (to cope) com a vida.

Uma família pode ser ‘tradicional’, com uma mãe, um pai e filhos. Famílias podem incluir filhos biológicos, adotados ou de diferentes etnias. Os cuidadores primários em uma família geralmente incluem avós e outros parentes, pais solteiros, pais do mesmo sexo, padrastos, pais de criação e amigos próximos. As famílias possuem seus próprios padrões, rituais, culturas e regras.

Idealmente uma família é qualquer grupo ou indivíduo que provê um ambiente seguro e de confiança, que alimenta a aprendizagem e um desenvolvimento saudável. No entanto, nenhuma família está imune ao conflito, à mudança, ao estresse e, infortunadamente, nem todas as famílias nutrem confiança e desenvolvimento saudável. A maioria das pessoas não cresce em famílias “ideais”, mas os laços formados nas famílias são importantes. Até mesmo famílias em meio a conflitos e adversidades podem ensinar a estimular e promover saúde mental e bem-estar tanto dos indivíduos quanto do sistema familiar.

O bom enfrentamento das famílias e sua boa adaptação durante situações de estresse e nos momentos difíceis são chamados resiliência familiar. A resiliência familiar permite o sucesso, prosperidade, coesão e suporte mesmo em tempos difíceis e de crise e pode ser desenvolvida e estimulada a qualquer tempo no ciclo vital familiar. Em geral, a resiliência familiar pode ser descrita como características, dimensões e propriedades das famílias que as ajudam a se recuperar das rupturas e/ou mudarem e se adaptarem frente às situações de crise.

Relacionamentos positivos dentro das famílias é o mais importante fator que leva à resiliência. Famílias que são resilientes são capazes de juntas enxergarem desafios e crises com confiança e como oportunidades de crescimento, cura e fortalecimento dos seus relacionamentos. Pesquisas tem encontrado que famílias resilientes e saudáveis possuem dez traços comuns que as ajuda a prosperar. São os seguintes:

- Perspectiva positiva
- Espiritualidade
- Harmonia entre os membros da família
- Flexibilidade
- Comunicação
- Gestão financeira
- Passar o tempo juntos
- Interesses recreativos mútuos
- Rotinas e rituais
- Suporte social

Uma perspectiva positiva: no coração da resiliência se encontra uma abordagem otimista e confiante dos desafios da vida. Afeto e humor ajudam a lidar com muitas situações. Famílias que se oferecem soluções positivas e estão dispostas a aceitar sugestões têm mais probabilidade de serem resilientes. Famílias que lidam bem (cope well) também são capazes de afirmar suas força e possibilidades, mantendo sua coragem e sua esperança no futuro.

Espiritualidade: espiritualidade pode ou não ser baseada na religião. Espiritualidade é uma sensação de que a vida tem sentido e propósito. Ela pode vir de crenças e valores compartilhados no interior das famílias. A espiritualidade é benéfica para estimular uma atitude otimista, contribui para a busca de propósito e provê às famílias habilidade para se manter unida, ter compreensão e superar os desafios da vida.

Harmonia entre os membros da família: as famílias funcionam melhor quando seus membros se sentem bem em relação a um e outro, suas necessidades são satisfeitas e seus relacionamentos são positivos. A habilidade familiar para se manter unida e dar suporte aos seus membros em tempos de crise é vital para a resiliência. Uma forte coesão familiar reforça a confiança da família para lidar com os problemas, porque os problemas são mais frequentemente vistos como compreensíveis, manejáveis e com significados. Esse sentido de coesão contribui para a habilidade familiar de se reagrupar e se reajustar após o fim de uma crise. Uma forte harmonia familiar ajuda seus membros a lidar um com o outro de forma respeitosa e amorosa.

Flexibilidade: uma família flexível é aquela que pode manter seu senso de continuidade enquanto se recupera de uma crise e/ou da solução de problemas que a estão desafiando. Isto é, seus membros voltam à rotina e à familiaridade e têm a sensação de que “a vida continua”.

As famílias se saem bem quando elas apresentam um equilíbrio saudável entre estrutura e flexibilidade. Por exemplo, uma família pode ter em sua estrutura de rotina se reunir à noite para o jantar e ter a flexibilidade para incluir os colegas de brinquedos de seus filhos nesse momento, ou ir comer fora juntos. Famílias com um equilíbrio saudável:

- são democráticas (por exemplo, todos os membros têm fala nas decisões familiares importantes);
- dividem a liderança (por exemplo, cada membro na família pode revezar-se na escolha do filme que a família irá assistir junto);
- têm papéis estáveis e dividem papéis (por exemplo, o pai usualmente prepara a ceia e as crianças põem a mesa); e
- possuem regras familiares rígidas e podem negociar com cada um de seus membros.

Famílias flexíveis lidam com as mudanças de forma otimista e quando se confrontam com desafios e/ou adversidades, elas reorganizam seus papéis a fim de obter um novo equilíbrio. Por exemplo, quando o filho mais velho vai morar fora de casa, algumas responsabilidades dos membros restantes da família aumentam, e decisões devem ser tomadas sobre quem vai dormir no quarto vazio deixado por ele.

Comunicação familiar: um sentido compartilhado de significados, estratégias de enfrentamento (coping) e a habilidade para manter o equilíbrio familiar são criadas através de uma comunicação aberta e harmoniosa. Uma comunicação familiar forte tem três elementos:
- Clareza (mensagens claras e consistentes);
- Expressão emocional aberta (comportamento, tom de voz, palavras, disponibilidade e estilo de comunicação);
- Solução compartilhada dos problemas (habilidade para resolver e compartilhar os problemas enquanto família).

A comunicação é mais efetiva quando as diferenças familiares são aceitas e tratadas com compaixão e compreensão. O bom funcionamento familiar tende a evitar isolamento, crítica e culpa e torna possível a reconciliação e a reconexão, mantendo o conforto, segurança e equilíbrio.

Gerenciamento das finanças: o bem-estar familiar está intimamente associado com a forma como as finanças são gerenciadas. Em tempos de dificuldades financeiras, famílias resilientes provêm altos níveis de calor humano, afeto, suporte emocional para cada um dos seus membros, e a sensação de um futuro melhor. Pressões financeiras podem levar a uma tensão e estresse familiar e podem afetar o bem-estar emocional e os relacionamentos interpessoais em todos os níveis da família (por exemplo, a emoção de cada indivíduo, interações entre os casais e o ambiente de cuidado dos filhos).

A combinação do ônus psicológico, social e econômico pode colocar as famílias em alto risco pelos múltiplos problemas e crises fora de seu controle (por exemplo: desemprego, casa mal conservada, ausência de cuidados de saúde, crime, violência e abuso de substâncias químicas). Famílias resilientes têm maior probabilidade de conseguir um planejamento ou um equilíbrio no seu orçamento.

Tempo familiar: gastar o tempo juntos é vital para uma família e promove continuidade e uma vida familiar estável. Passar juntos o tempo pode ir desde fazer as refeições e as tarefas em conjunto, fazer tarefas na rua (running errands) e se divertir.

Compartilhar o tempo familiar tem sido mostrado como redutor de chances dos filhos se envolverem com drogas, cigarro e iniciar atividade sexual precoce, que podem colocar sua saúde física e mental em risco, particularmente na adolescência. Infelizmente, o tempo familiar parece estar encolhendo devido ao aumento da demanda dos pais, responsabilidades e a pressão do tempo {time strain} (um fenômeno que inclui a falta de espontaneidade para responder às necessidades dos filhos, fadiga e inabilidade para se desligar do trabalho).

Formas efetivas de reduzir a pressão do tempo e aumentar o tempo familiar incluem: atividades domésticas utilizando o tempo comum para se manter uma comunicação significativa, discutir planos futuros e participando de atividades lúdicas educativas.

Diversão compartilhada: uma boa saúde familiar pode ser atribuída aos múltiplos benefícios de se dividir a diversão e o lazer. Benefícios do lazer incluem: estabelecer apegos saudáveis, satisfação interna, felicidade, aprendizagem, humor e o prazer de dividir experiências.

Dentro da família, a recreação pode ocorrer de duas formas e ambos os tipos de atividades são importantes para estimular adaptabilidade e coesão: 1) nucleares ou de rotina e atividades como jogos de tabuleiros e de cartas; ou 2) atividades novas como boliche ou fazer um picnic familiar.

Rotinas e rituais: pesquisas têm mostrado que famílias que seguem rotinas e rituais são mais estáveis e os filhos apresentam melhores resultados. As rotinas são compromissos momentâneos e requerem pouco pensamento consciente e elas provêm um sentido de conforto e estabilidade, especialmente para as crianças.

As rotinas são geralmente deixadas de lado durante uma crise familiar como adoecimento ou separação do casal, e isso pode ser difícil e inquietante para as crianças. No meio da crise ou do desafio, manter a rotina o quanto for possível proverá à família previsibilidade, coesão e conforto. Os rituais são simbólicos em sua natureza, afetando e perpassando as gerações de uma família.

Os rituais são formas de celebrar e manter os valores e as tradições familiares através das gerações. Por exemplo, talvez sua família passe todas as ceias de Natal na casa de sua avó e passe as férias familiares sempre no mesmo local. Rotinas e rituais são importantes para a promoção da resiliência familiar por promover relacionamentos familiares mais íntimos, socialização da criança e amenizar os efeitos de eventos estressantes.

Suporte social: estar conectado à sua comunidade familiar e ao sistema de suporte social é importante e provê um sentido de pertencimento e coesão. Suportes comunitários e sociais podem incluir jogos familiares em grupo, associações comunitárias, organizações de voluntários e ligas de recreação e de esportes.

Redes comunitárias têm impacto sobre a resiliência. Famílias resilientes não somente recebem suporte social de suas comunidades, mas também tendem a retribuir para a comunidade. A família ampliada e a comunidade oferecem às famílias: rede social, interação mútua e formas de oferecer informações uns aos outros sobre os serviços/programas, folgas e opções de contribuir para o bem-estar da comunidade e companhia.

Desenvolvendo a resiliência familiar

O desenvolvimento da resiliência pode ser feito em qualquer momento do ciclo de vida da família. Portanto, não importa se você tem uma família com duas crianças pequenas ou uma família estendida com filhos maduros que estão começando suas próprias famílias; desenvolver a resiliência familiar é possível e vale à pena. As estratégias a seguir são úteis para desenvolver resiliência nas famílias:

Planeje adiante: priorizar metas de vida, atividades e compromissos é importante. Um planejamento eficaz precisa ser temporal e priorizado de forma intencional. Determine que coisas são mais importantes para focar energia e tenha semanalmente reuniões familiares para discutir a semana seguinte e quaisquer desafios ou conflitos que podem surgir. Um planejamento futuro deveria levar em conta coisas como: criar tempo familiar, determinar o tempo de lazer individual (por exemplo, data dos jogos com outras crianças/amigos), manter uma nutrição adequada e níveis de exercícios, despesas no orçamento familiar e geralmente priorizar semanalmente ou mensalmente eventos e atividades do mais importante para o menos importante. Planejar antecipadamente absorve e compromete todos os membros da família.

Funcionamento conjunto: as famílias devem trabalhar conjuntamente para funcionar efetivamente. Encoraje a cooperação, contribuição positiva, autoconfiança, comunicação aberta e honesta e o perdão dentro da família. Trabalhar conjuntamente significa que cada membro da família tem um papel importante e prático dentro dela. Famílias que trabalham junto e suportam cada um de seus membros são mais equilibradas e apresentam um melhor bem-estar geral.

Aprender com as experiências: quando uma crise ou um desafio surge, é importante aprender com essas experiências. Proporcione a cada membro da família segurança e suporte evita a repetição de dor e sofrimento emocional desnecessários. Evite a repetição de experiências negativas pela promoção de uma comunicação aberta, honesta e sem julgamento, planejando um desenvolvimento realístico (individualmente), desenvolvendo metas familiares que requerem trabalho em equipe e, se uma falha ou decepção ocorrer, dê suporte a cada um para se obter sucesso.

Divertir-se juntos: apreciar uns aos outros, encontrarem humor em suas vidas e sorrir para aliviar o stress! Diversão familiar conjunta é melhor quando está baseada na qualidade do tempo e da interação. As atividades familiares não precisam ser caras – caminhar no parque mais próximo, jogar ou simplesmente sentar e conversar! Encontrar prazer e felicidade em sua família é um importante meio para desenvolver, aumentar e sustentar a resiliência durante a vida.

Dicas e atividades para a construção da resiliência familiar

Acima de tudo, o tempo familiar que é positivo, reflexivo, saudável, divertido e construtivo é vital para promover e desenvolver resiliência. Com a atual incerteza econômica no nível local e no nível global, estar conectado e focado nas nossas famílias é importante e positivo para nossa saúde e bem-estar físico, mental, emocional e espiritual. As dicas e idéias a seguir podem te ajudar a estar conectado a sua família, promover saúde e bem-estar e desenvolver a resiliência familiar!

Seja ativo, recreativo e sem pressa

Ser ativo enquanto família não é somente saudável, mas também divertido e agradável. Para se manter ativo, recreativo e despreocupado tente:
- Levar a família para passear no parque no verão. Jogar bola, brincar de frisbee, nadar ou simplesmente sentar na grama. Sair e apreciar o dia em um parque ajudará a clarear sua mente, queimar alguma energia e promover a qualidade do tempo familiar de uma forma barata.
- No inverno, saia e se divirta na neve! Construa uma cabana de neve ou um homem de neve, faça anjos de neve, brinque no tobogã ou no trenó ou faça um passeio agradável numa noite amena de inverno. Não deixe que o inverno impeça as saídas da família. Seja ativo no inverno, então faça chocolate quente com marshmallows para a família toda apreciar!
- Confira seu ginásio ou centro comunitário local para ver que tipos de programas ou atividades são oferecidos para famílias. Noites para nadar juntos, ginástica livre e artesanato e aulas de atividades são grandes maneiras de apreciar o tempo juntos em um ambiente divertido e relaxado. Esse tipo de saída também te mantém conectado com a sua comunidade.
- Planeje um picnic familiar. Escolha um destino, perto ou longe, embrulhe alguma comida e bebidas (especialmente água se estiver quente!) e vá para um picnic familiar. Picnics são uma boa maneira de se manter ativo e nutritivamente consciente, enquanto desfruta dos benefícios de saúde mental de gastar o tempo junto a pessoas que você ama.

Fique conectado com sua casa!

- Separe uma ou duas noites por semana para cozinhar enquanto família. Isso é bastante divertido e mantém a família unida ao mesmo tempo e no mesmo lugar. Tente diferentes receitas ou escolha um tema para a refeição de cada noite (por exemplo, noite da cozinha grega ou noite das pizzas bizarras) e que cada um assuma um papel na preparação da comida e da refeição.
- Coma juntos! Comer juntos é umas das melhores formas para os membros da família se manterem conectados. Refeições conjuntas permitem uma comunicação familiar aberta e a chance de dividir o que tem acontecido a cada um em um ambiente centrado no social e no familiar.
- Realize reuniões familiares para planejar o fim semana juntos. É importante conhecer a agenda de cada um e oferecer suporte para ajudar a cada um se conflitos ou discussões familiares surgirem. As reuniões familiares são uma boa forma de promover a democracia familiar, dividir liderança e desenvolver habilidades de negociação para resolver conflitos.
- Brinquem junto! Jogos de tabuleiro e de cartas são uma boa diversão para toda a família e podem ser facilmente adaptados às idades e aos níveis de habilidades dos membros da família. Jogos podem ser realizados em times ou individualmente e são uma grande forma de promover trabalho em grupo e honestidade. Os jogos ajudam também a desenvolver autoconfiança e habilidades sociais importantes como seguir regras e ser capaz de aceitar derrotas tão bem quanto vitórias.

Mantenha-se conectado com a sua comunidade!

- Dê retorno à sua comunidade. Isso é uma grande forma de aumentar a conexão individual e familiar com o lugar em que você vive. Voluntariar-se para treinar ou organizar o time de esportes de seus filhos é uma boa maneira para se encontrar e interagir com famílias locais e uma forma de construir amizades e ligações duradouras com sua comunidade local.
- Apreciem juntos uma livraria. As livrarias são familiares, educativas, divertidas e sem custo. Famílias com crianças pequenas podem participar de momentos de contação de histórias; crianças mais velhas podem se divertir lendo em grupos. Idas a livrarias podem promover o amor à leitura e ajudar às crianças a aprender como usar a livraria para realizar trabalhos escolares e para diversão!
- Explore os museus locais, galerias de arte e centros de ciências. Eles geralmente oferecem pacotes familiares que os podem tornar mais acessíveis como um passeio em família. Se disponíveis, aproveite esses descontos e eduque sua família sobre história, arte e cultura.


Building Resilient Families

ALBERTA HEALTH SERVICES

“The informality of family life…allows us to become our best while looking our worst”. ~Marge Kennedy

The people who most impact our lives and shape who we become are our family. Healthy families provide security, support, love, and positive life experiences that play a vital role in how we learn, grow and respond to challenges. We learn about relationships and the skills to cope with life from our families.

A family can be ‘traditional’ with a mom, dad, and children. Families can include children who are biological, adopted or of different ethnicity. Primary care providers in a family might also include grandparents and other relatives, single-parents, same-sex parents, step-and foster-parents or close friends. Families have their own unique patterns, rituals, culture and rules.

Ideally a family is any group or individual who provides a safe and trusting environment that fosters learning and healthy development. However, no family is immune to conflict, challenge, or stress, and unfortunately, not all families foster a safe and healthy environment. Most people don’t grow up in ‘ideal’ families, but the bonds formed in families are important. Even families with conflict and adversity can learn to foster and promote mental health and well-being as individuals and within the family system.

How well families cope and adapt during stressful or difficult times is called family resilience. Family resilience enables success, flourishing, cohesion and support even in
times of trouble and crisis and can be developed and fostered at any time in the family life cycle. In general, family resilience can be described as characteristics, dimensions, and properties of families which help them to rebound from disruption and/or change and to adapt in the face of crisis situations.

Positive relationships within the family are the most important factor that leads to resilience. Families who are resilient are able together to view challenges and crises with confidence and to view challenges as opportunities to grow, heal and strengthen their relationships. Research has found that resilient, healthy families have 10 common traits that help them flourish. They are:
• a positive outlook
• spirituality
• family member accord
• flexibility
• communication
• financial management
• time together
• mutual recreational interests
• routines and rituals
• social support

Positive Outlook: At the heart of resilience is an optimistic, confident approach to life’s challenges. Affection and humor help to deal with many situations. Families who offer each other positive solutions, and are willing to accept suggestions are likely to be more resilient. Families who cope well are also able to affirm their strengths and possibilities, maintain courage, and sustain hope for the future.

Spirituality: Spirituality may or may not be religion based. Spirituality is a sense that life has meaning and purpose. It can come from shared beliefs and values within families. Spirituality provides connection not only to family, but to the community and the universe. Spirituality is beneficial to fostering an optimistic attitude, contributes to seeking purpose, and provides families with the ability to unite, understand, and overcome life’s challenges.

Family Member Accord: Families function best when they feel good about each other, their needs are met, and their relationships are positive. A family’s ability to pull together and support each other in times of crisis is vital to resilience. Strong family cohesion enhances a family’s confidence in dealing with problems because problems are more often seen as comprehensible, manageable and meaningful. This sense of cohesion contributes to a family’s ability to regroup and adjust after a crisis has passed. Strong family accord helps family members deal with each other in respectful, loving ways.

Flexibility: A flexible family is one that can maintain their sense of continuity while rebounding from a crisis and/or sorting out issues that are challenging. That is, they get back to routines and familiarity and have a sense that ‘life will go on’.

Families do well when they have a healthy balance between structure and flexibility. For example, a family might have routine structured time together at their evening meal, and have the flexibility to include their children’s playmates on occasion, or go out together for a meal. Families with a healthy balance:

• are democratic (for example, all family members have a say in important family decisions);
• share leadership (for example, each member of the family can take turns picking the movie the family will watch together);
• have stable roles and shared roles (for example, Dad usually makes supper, and children set the table); and,
• have strong family rules, and can negotiate with each other.

Flexible families deal with change optimistically, and when faced with challenge and/or adversity, they reorganize their roles in order to build a new balance. For example, when the eldest child moves away from home, some responsibilities of the remaining family members may increase, and decisions might be made about who gets to sleep in the eldest child’s empty bedroom.

Family Communication: A shared sense of meaning, coping strategies, and the ability to maintain family balance is created through open, harmonious communication. Strong family communication has three elements:

• Clarity (clear and consistent messaging)
• Open emotional expression (behavior, tone, words, availability, and communication style)
• Shared problem solving (the ability to solve and share problems as a family)

Communication is most effective when family differences are accepted and dealt with using compassion and understanding. Well functioning families tend to avoid withdrawal, criticism and blame, and are able to reconcile and reconnect, maintaining comfort, security and balance.

Financial Management: Family well-being is closely associated with how well finances
are handled. In times of financial hardship, resilient families provide reciprocal high levels of warmth, affection, emotional support for each other, and a sense of promise for a brighter future. Financial pressures can lead to family tension and stress and can affect emotional well-being and interpersonal relationships at all levels in the family (e.g., individual emotional lives, marital interactions between adults, and the caretaking environment of the children).

The combination of psychological, social and economic burden can put families at higher risk for multiple problems and crises beyond their control (for example: unemployment, substandard housing, lack of health care, crime, violence, and substance abuse). Resilient families are likely to have a plan or a budget for balancing expenses with income.

Family Time: Spending time together is vital for a family and promotes continuity and a stable family life. Time spent together can range from having family meals, doing chores together, running errands, and having fun.

Sharing family time together has been shown to reduce the chances that children will get involved in substance abuse, smoking and early sexual activity that can put their mental and physical health at risk, particularly in adolescence. Unfortunately, family time appears to be dwindling due to increased parental demands, responsibilities and time strain (a phenomenon that includes the lack of spontaneity to respond to children’s needs, fatigue, and inability to disconnect feelings from work).

Effective ways to reduce time strain and increase family time include: family housekeeping activities, utilizing commute time to have meaningful communication, discussing future plans, or participating in fun learning activities.

Shared Recreation: Good family health can be attributed to the multiple benefits of sharing recreation and leisure time together. Benefits of family recreation/leisure include: forming healthy attachments, internal satisfaction, happiness, learning, humor, and the pleasure of shared experiences.

Within the family, recreation can occur two ways and both types of activities are important in fostering family adaptability and cohesion: 1) core, or routine and common activities like board and card games; or 2) or novel activities like bowling or having a family picnic.

Routines and Rituals: Research has shown that families who have routines and rituals are more stable and have better child outcomes. Routines are momentary in time commitment and require little conscious thought and they provide a sense of comfort and stability, especially for children.

Routines are often dismissed during a family crisis like illness or marital separation, and this can be hard and unsettling for children. In the midst of crisis or challenge, maintaining routines as much as possible will provide a family with predictability, cohesion, and comfort. Rituals are symbolic in nature and endure, affect and cross family generations.

Rituals are ways to celebrate and maintain family values and traditions through the
generations. For example, maybe your family goes to your Grandmother’s house every
Christmas Eve, or you take an annual family vacation to the same destination. Both
routines and rituals are important to promoting family resilience in that they promote close family relationships, child socialization, and ease the effects of stressful events.

Social Support: Being connected to your family’s community and social support system is important and provides a sense of belonging and cohesion. Community and social supports can include family play groups, community associations, volunteer organizations or recreational/sports leagues.

Community networks impact resilience. Resilient families not only receive social support from their communities, but tend to give back to their communities as well. Extended kin and community offer families: social networks, mutual interaction, and ways to provide information to each other on services/programs, respite, avenues to contribute to the welfare of the community, and companionship.

Developing Family Resilience

Developing family resilience can be done at any time in the family life cycle. So, no matter if you have a family with two young children or an extended family with mature children who are starting their own families, developing resilience is possible and worthwhile. The following strategies are useful in developing resilience in families:

Plan Ahead: Prioritizing life goals, activities and schedules is important. Effective planning needs to be time and priority conscious. Determine what things are most important to focus energy on and have weekly family meetings to discuss the week ahead and any challenges or conflicts that may arise. Planning ahead should take into account things like: creating family time, determining individual leisure time (e.g., play dates with other children/friends), maintaining proper nutrition and exercise levels, budgeting family expenses, and generally prioritizing weekly or monthly events and activities from most important to least important. Planning ahead takes input and commitment from the whole family.

Work together: Families must work together to function effectively. Encourage cooperation, positive contribution, self-reliance, open and honest communication and forgiveness within your family. Working together means each family member knows they have an important and feasible role within the family. Families that work together and support each other are more balanced and have better overall family well-being.

Learn from Experience: When a crisis or challenge arises, it is important to learn from
those experiences. Provide each other with safety and support so that repeating unnecessary emotional hurt and pain can be avoided. Avoid a repeat of negative experiences by promoting open, honest and non-judgmental family communication, planning for realistic improvement (individually), developing family goals that require teamwork, and if failure or disappointment does occur, support each other to become successful.

Enjoy Time Together: Enjoy each other, find humor in your lives, and laugh to relieve stress! Family fun times are best when they are based on quality time and interaction. Family activities don’t need to be expensive - go for a walk to the nearest park, play a game, or just sit around and talk! Finding joy and happiness in your family is a very important way to develop, increase and sustain resilience through a lifetime.

Tips and Activities for Building Family Resilience

Above all, family time that is positive, reflective, healthy, fun and constructive is vital to promoting and developing resilience. With today’s economic uncertainty both in our own communities and globally, staying connected and focused on our families is important and positive for our mental, physical, emotional, spiritual health and well-being. The following tips and ideas can help you stay connected to your family, promote health and well-being and develop family resilience!

Get Active, Recreational, and Leisurely!

Being active as a family is not only healthy, but fun and enjoyable. To get active,
recreational and leisurely try:
• Taking a family walk to the park in the summer. Throw a ball, play Frisbee, swing
or just sit on the grass. Getting out and enjoying a day in the park will help clear your mind, burn some energy, and promote quality family time that is inexpensive!
• In the winter get out and enjoy the snow! Build a snow hut or snowman, make snow angels, go tobogganing or sledding or even just for a nice walk on a mild winter evening. Don’t let the winter put a stop to family time outside. Be active in the winter weather then go inside and make some hot chocolate with marshmallows for the whole family to enjoy!
• Check out your local community centre or gym facility to see what types of programs or activities are offered for families. Family swim nights, open gym or craft and activity classes are great ways to enjoy some time together in a fun, relaxed environment. This type of outing also keeps you connected to your community!
• Plan a family picnic. Pick a destination, near or far, pack some food and drinks (especially water if it’s hot!) and go for a family picnic. Picnics are a great way to be active and nutritionally conscious while enjoying the mental health benefits of spending time together with your loved ones.

Stay connected at home!

• Set aside 1 – 2 nights a week in which you cook as a family. It’s great fun and gets the family together at the same time in the same location. Try different cuisines, or have a theme night for your meal (e.g., Greek food night, or weird pizza night) and have all members of the family play a role in the food and meal preparation.
• Eat together! Eating together is one of the best ways for families to stay connected to each other. Meals together allow for open family communication and the chance to share what has been going on with each other in a social, family centered environment.
• Have family meetings to plan your weeks together. It is important to know each others schedules and to offer support and help to each other if any conflicts or issues arise. Family meetings are a great way to promote family democracy, share leadership, and develop negotiation skills to resolve conflicts.
• Play together! Board games and card games are great fun for the whole family and
can be easily tailored to the age and skill levels in the family. Games can be played in teams or as individuals and are great for promoting teamwork and honesty. Games also help to develop self-confidence, and important social skills such as following rules, and being able to win and lose well.

Stay Connected to Your Community!

• Give back to your community. It is a great way to increase both individual and family connection to the place in which you live. Volunteering to coach or manage your son or daughter’s sports team is a great way to meet and interact with local families and is a way to build friendships and lasting connections to your local community.
• Enjoy the library together. Libraries are family friendly, educational, fun and inexpensive. Families with young children can participate in library story time; older children can join reading groups. Trips to the library can promote a love of reading, and help your children learn how to use the library for both homework and fun!
• Explore your local museums, art galleries, and science centres. They often have family rates that can make it more affordable as a family outing. If available, take advantage of discounts and educate your family about history, art, and culture!

Available Resources
For additional information on resources in your area, check out the links below.

Within Alberta:
• Health Link Alberta – 1.800.408.5465 or
www.healthlinkalberta.ca
• Alberta Health Services
www.albertahealthservices.ca
• Canadian Mental Health Association Alberta Division
http://www.alberta.cmha.ca/
Nationally:
• Public Health Agency of Canada
http://www.phac-aspc.gc.ca/index-eng.php
• Canadian Mental Health Association http://www.cmha.ca/bins/index.asp

Sources:
Black, K., & Lobo, M. (2008). A Conceptual Review of Family Resilience Factors. Journal of Family Nursing, 14(1), 33-55.
Matthews, D.W. (2003). Family Resilience. North Carolina Cooperative Extension Service.
McCubbin, H.I., & McCubbin, M. A. (1988). Typologies of resilient families: Emerging roles of social class and ethnicity. Family relations, 37(3), 247-254. Iowa State University (1995). Family Resiliency, Building Strengths to Meet Life’s Challenges.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

O vídeo abaixo é a entrevista de um escritor do tipo que deixa sua mente vaguear a esmo e coloca tudo isso no papel e depois vende milhões de livros, pois encontra leitores que não conseguem pensar por si próprios, pois se o fizessem chegariam aos mesmos pensamentos que o escritor chegou e perceberia que isso não é nada demais. Por exemplo, trecho do vídeo: “Estar em união com a vida é estar em união com o momento presente porque só nele a vida pode ser encontrada. Você não pode fugir do agora”. Fala vazia, palavras soltas sem consequências. É o tipo de auto-ajuda que não ajuda em nada, pois escamoteia uma tomada de consciência que não segue esse caminho de raciocínio. No entanto, quem quiser arriscar, esteja à vontade.

O poder do agora

sábado, 19 de dezembro de 2009

O texto abaixo é a Introdução ao livro Vulnerable but Invencible - A Longitudinal Study of Resilient Children and Youth, de Emmy Werner – Ruth Smith, um dos livros pioneiros na discussão da questão da resiliência, pois relata uma pesquisa longitudinal de 25 anos de duração no Hawaii, EUA, e infelizmente ainda não traduzido para o português. Fiz uma tentativa de tradução, que pode receber correções de quem quiser contribuir. No final, o texto original em inglês.

INTRODUÇÃO
“E assim eu parti em uma viagem para responder a mim mesma umas poucas perguntas: Quais são nossas maiores qualidades? O que nos diferencia dos animais e da máquina? Das pessoas comuns e do monstro? Como podemos acreditar em nossas possibilidades infinitas, quando as nossas limitações são tão evidentes? E a esperança? O que é essa coisa teimosa no homem que o mantém sempre se furtando à passagem do tempo?... As chances estão contra ele, as chances sempre foram contra ele, e ele sabe disso, mas ele nunca acreditou ...” (Lillian Smith - The Journey 1954)
No ano em que Lillian Smith colocou estas perguntas, uma equipe de pediatras, psicólogos e profissionais de saúde pública começou uma busca de seus próprios questionamentos, que durou mais de duas décadas. Tal como aconteceu com a poetisa, algumas de nossas perguntas não foram respondidas, e outras transformadas em novas questões ao longo do caminho.
As crianças cujas vidas nós seguimos desde o pré-natal até a idade adulta vivem na ilha de kauai, a “Ilha Jardim”, na extremidade noroeste da ilha principal da Cadeia Havaiana. Elas nasceram em 1955, quando o Havaí era ainda um território, e chegaram à maioridade quando as ilhas se tornaram o 50 º estado da União.
A população dessa ilha é um caleidoscópio de grupos étnicos: japoneses, filipinos, havaianos e descendentes, portugueses, porto-riquenhos, chineses, coreanos e um pequeno grupo de anglo-caucasianos. Essa população é, na sua maioria, descendente de imigrantes do sudoeste da Ásia e da Europa, que vieram para o Havaí para trabalhar nas plantações da cana de açúcar e de abacaxi. Mais da metade das crianças desta coorte cresceram em famílias cujos pais eram trabalhadores semi-qualificados ou não-qualificados, e cujas mães não se formaram no ensino médio.
Nosso estudo começou com uma avaliação das histórias reprodutivas e da condição física e emocional das mães em cada trimestre da gravidez, da quarta semana de gestação até o parto. Ele continuou com uma avaliação dos efeitos cumulativos do estresse perinatal e da qualidade do ambiente de cuidados quanto ao desenvolvimento físico, cognitivo e social de seus filhos na primeira infância, infância e adolescência.
Em nosso primeiro livro sobre As Crianças de Kauai (Werner, Bierman e French, 1971), nós apresentamos uma perspectiva sobre a magnitude dos problemas fetais e perinatais nessa comunidade e documentamos os efeitos cumulativos do estresse perinatal, da pobreza e de um ambiente desordenado em termos de cuidado com o desenvolvimento de crianças do nascimento aos 10 anos de idade.
Nosso foco principal, então, era para os mais jovens que padeciam de problemas de desenvolvimento - ou seja, deficiência física, retardo mental e problemas graves na escola - e nossa maior preocupação era com a prevenção e intervenção precoce.
Em nosso segundo livro, As Crianças de Kauai Chegam à Maioridade (Werner e Smith, 1977), examinamos os problemas de saúde mental e comportamento anti-social na infância e na adolescência, e a probabilidade de sua persistência na fase de jovens adultos. Nós documentamos as bases biológicas e temperamentais desses problemas, a relação entre classe social e vulnerabilidade, os efeitos marcantes da interação cuidador-criança e as diferenças culturais na socialização.
Ao longo de nossos estudos de acompanhamento nos concentramos em uma combinação de fatores biológicos, sociais e psicológicos que foram preditivos de sérios problemas de enfrentamento (coping) e analisamos as respostas de saúde, saúde mental e as agências de serviço social para crianças e jovens em situação de risco.
Os resultados de nosso estudo, baseado em uma população total de crianças em uma comunidade por mais de duas décadas de suas vidas, nos fornece uma perspectiva que não pode ser obtida a partir de estudos de curto prazo sobre crianças com problemas. Enquanto este relatório incide sobre a vulnerabilidade dos jovens, não poderíamos deixar de ficar profundamente impressionados com a resistência da maioria das crianças e com seu potencial para um crescimento positivo. A maioria dos jovens nesta coorte era competente para lidar com seus problemas, escolheram seus pais como seus modelos, descobriram em sua família e em seus amigos base para apoio e compreensão e expressaram um forte sentimento de continuidade dos valores familiares ligados à educação, às preferências profissionais e às expectativas sociais.
Nesta coorte de 698 crianças, 204, no entanto, desenvolveram graves problemas de comportamento ou de aprendizagem em algum momento durante as duas primeiras décadas de suas vidas. Algumas foram expostas a grandes agravos biológicos que impediram o desenvolvimento adequado, pois muitas viviam em situação de pobreza crônica, ou em um ambiente familiar persistentemente desorganizado que impediu uma integração normal. Freqüentemente, vários destes fatores interagiram e expuseram essas crianças e jovens a tensões acumuladas difíceis de lidar de forma individual.
No entanto, havia outras crianças, igualmente vulneráveis - expostas à pobreza, a riscos biológicos e instabilidade familiar, e criadas por pais com pouca instrução ou graves problemas de saúde mental - que permaneceram invencíveis e desenvolveram-se como jovens adultos competentes e com autonomia, que “trabalharam bem, jogaram bem, amaram bem e tinham boas expectativas” (Garmezy, 1976). Este relatório é um relato da nossa busca pelas raízes de sua superação, pelas fontes de sua força.

CONTEXTO HISTÓRICO DO ESTUDO
Após décadas de preocupação com a patologia, pesquisas em desenvolvimento da criança começaram a se concentrar, em meados da década de 1970, nas tendências do organismo humano a endireitar-se (self-righting), que parece mover as crianças em direção ao desenvolvimento normal, apesar de todas as circunstâncias mais adversas (Sameroff, 1975 & Chandler, 1975).
As forças principais nesta oscilação do pêndulo têm renovado o interesse na evolução e no novo perfil da sociobiologia (Freedman, 1979; Wilson, 1978), um derramamento de investigações sobre as competências das crianças (Osofsky, 1979) e poucos estudos longitudinais, iniciados logo após o nascimento, alguns dos quais ainda estão em andamento. Eles nos deram uma maior consciência das habilidades de enfrentamento (coping) das crianças, ou seja, a sua adaptação em circunstâncias relativamente difíceis em face dos desafios, frustrações e ameaças (White, 1974).
Apenas um pequeno número de estudos sobre a perspectiva do desenvolvimento de padrões de enfrentamento das crianças vingou, mas oferece uma perspectiva para a profissão clínica, que é mais equilibrada, e que parece mais promissora do que a visão vislumbrada das investigações retrospectivas (“follow-back”) dos problemas de crianças e jovens, que muitas vezes passam uma impressão injustificada de uma inevitabilidade de consequências.
Dois tipos de inquéritos são especialmente relevantes para a nossa preocupação e serão discutidos no âmbito das conclusões do nosso próprio estudo. Primeiro, há um punhado de estudos longitudinais que têm se estendido por uma década ou mais, sobre crianças normais com inteligência acima da média, vivendo em lares estáveis e predominantemente de classe média. O primeiro deles é Ego Resiliency and Growth and Guidance Studies of the Institute of Human Development, do Instituto de Desenvolvimento Humano da Universidade da Califórnia em Berkeley (Block & Block, 1980; Haan, 1977), o Coping Project of the Menninger Foundation, em Topeka, Kansas (Murphy & Moriarty, 1976); de New York Temperament Studies (Thomas & Chess, 1977), e o Harvard Preschool Project (White, Attanucci & Kaban, 1979). Em segundo lugar, existem estudos prospectivos de crianças de alto risco expostas a risco reprodutivo, a pobreza ou doença mental parental (Anthony, 1978; Broman, Nichols & Kennedy, 1975; Garmezy, 1976; Rutter, 1979).
Todos nos fizeram conscientes da resiliência das crianças, ou seja, sua capacidade de lidar eficazmente com as tensões internas de suas vulnerabilidades (tais como padrões lábeis de reatividade autonômica, desequilíbrios de desenvolvimento, sensibilidades incomuns) e agressões externas (como doença, grandes perdas e dissolução da família). Mesmo através das experiências mais estressantes nos mais terríveis lares, algumas pessoas parecem sair ilesas e desenvolver uma personalidade estável e saudável.
As explicações para essa emergência têm sido lentas em seu aparecimento (Escalona, 1968). Este estado de coisas é, em parte, devido a uma escassez de estudos em longo prazo das populações inteiras de crianças e, em parte, a modelos de desenvolvimento humano que tenham influenciado a coleta e análise de dados empíricos.

MODELOS DE DESENVOLVIMENTO HUMANO
Em uma revisão do estado-da-arte, Garmezy (1974) observou que a categorização da criança como vulnerável ou de alto risco é derivada de diversos modelos básicos que têm caracterizado as especulações sobre a etiologia de transtornos de comportamento: (1) predisposição genética, (2) desorganização patológica no ambiente próximo (a família), ou (3) dentro do ambiente molar (sociocultural) da criança, e (4) privação dentro dos períodos do pré-natal ou neonatal.
Quando o nosso estudo começou em meados dos anos cinquenta, muitos psicólogos do desenvolvimento, psiquiatras infantis e outros profissionais de saúde mental aderiram a um modelo de efeito principal do desenvolvimento da criança. Sua premissa central era que a constituição e o ambiente exercem influências sobre o desenvolvimento, que são independentes uns dos outros. Assim, a maioria dos estudos prospectivos de crianças em alto risco, por exemplo, focou a atenção seletivamente em um ou outro risco biológico (como complicações reprodutivas ou perinatais) ou privação ambiental (tais como a pobreza crônica). Com o tempo, previsões de longo alcance com base em tais avaliações unilaterais provaram ser decepcionantes.
Em nosso estudo longitudinal em Kauai logo ficou claro que para arriscar um palpite sobre (ou prever) as probabilidades de resultados de desenvolvimento nós tivemos de considerar tanto a composição constitucional da criança quanto a qualidade dos cuidados oferecidos por seu ambiente. Outros pesquisadores, especialmente aqueles associados com o maior dos estudos prospectivos de fatores de risco no continente americano. - o Collaborative Perinatal Project (NCPP), patrocinado pelos National Institutes of Health - chegou a conclusões semelhantes (Broman et al., 1975; Smith et al., 1972). Assim, desde meados dos anos sessenta, mais investigadores de desenvolvimento e profissionais de saúde mental se voltaram para um modelo de interação do desenvolvimento humano.
Uma perspectiva complementar emergiu desde meados dos anos setenta, uma mudança de um modelo estático, linear de interação para um mais dinâmico modelo transacional (Sameroff & Chandler, 1975; Wertheim, 1978). Esse modelo de desenvolvimento psicossocial tem raízes na tradição piagetiana e na teoria dos sistemas gerais (Bertalanffy, 1968; Piaget, 1971).
Desse ponto de vista, o desenvolvimento da criança é percebido como mais do que uma simples reação aos ambientes de cuidado: é uma tentativa, ativa e permanente, para organizar o seu mundo. As transações entre as características constitucionais da criança e da qualidade do ambiente cuidador ao longo do tempo determinam a qualidade do resultado. Um rompimento a partir deste ponto de vista é visto como uma conseqüência de um contínuo mau funcionamento nas transações do organismo com o meio ambiente, o que impede a criança de organizar o seu mundo adaptativamente.
Dada a aparente auto-organização e auto-recuperação geneticamente programadas do organismo humano (Waddington, 1966), duas possíveis explicações têm sido sugeridas para o desenvolvimento desviante. A primeira é que um agravo forte o suficiente para a capacidade integradora do organismo impede o funcionamento da sua capacidade de auto-recuperação; a segunda possibilidade é que as forças adversas do ambiente se apresentem ao longo do desenvolvimento, impedindo uma integração normal que ocorreria em um ambiente mais favorável (Sameroff & Chandler, 1975). Como veremos, ao invés de serem separadas, essas duas fontes de estresse parecem estar intimamente relacionadas ao longo do desenvolvimento da criança.
É o equilíbrio entre risco, eventos estressantes da vida e características de proteção na criança e no seu ambiente de cuidado que parece dar conta da gama de resultados encontrados em nosso estudo. O impacto relativo desses fatores pode diferir, no entanto, a partir das etapas do ciclo de vida, do sexo da criança e do contexto cultural no qual ela cresce.

ALGUMAS DIREÇÕES PARA PESQUISAS FUTURAS
Nós ainda não entendemos completamente como os padrões de enfrentamento das crianças são moldados por sua situação e pela sua personalidade e como esses padrões mudam ao longo do desenvolvimento (Monat & Lazarus, 1977). Nós precisamos analisar especialmente as diferenças de sexo nos antecedentes e correlatos da resiliência. Há evidências bastante consistentes de diferenças sexuais nas respostas das crianças ao estresse familiar (Rutter, 1970). Em toda parte, taxas relatadas de comportamento desordenado diferem significativamente para meninos e meninas, e a diferença sexual quanto aos problemas de comportamento muda de forma da infância para a adolescência (Gove, 1979). Assim, podemos também esperar encontrar algumas diferenças nas características e competências comportamentais que permitem meninos e meninas lidarem (coping) positivamente com as dificuldades da vida.
Temos ainda apenas algumas pistas, principalmente a partir de estudos de caso e das autobiografias de pessoas dotadas (por exemplo, Angelou, 1970; Darrel, 1973; Goertzel et al. 1978; Wiesel, 1969), sobre as fontes iniciais de segurança que permitem homem e mulher resilientes lidar com a pobreza com sucesso, com o preconceito e com a desintegração familiar em sua infância e juventude. Os efeitos a longo prazo dessas fontes informais de apoio dentro da família, entre colegas e na escola, bem como do(s) sistema(s) de valores dominante(s) que fornece(m) segurança, precisam ser estudados mais sistematicamente na investigação longitudinal.
Os poucos estudos longitudinais que têm seguido os padrões de enfrentamento das crianças até a adolescência têm lidado com uma seleta e privilegiada amostra da raça humana: brancos de classe média, urbana e brilhantes. Estudos prospectivos de crianças em alto risco incluem também crianças negras de lares atingidas pela pobreza, mas que ainda não têm, por enquanto, atingido a fase adulta. Há necessidade, então, de uma perspectiva mais ampla, uma que coloque as fontes de competência e de suporte das crianças em um amplo contexto sociocultural. O Estudo Longitudinal de Kauai proporciona uma oportunidade única:
- Ele é baseado em uma grande e multirracial coorte de crianças;
- Ele representa todos os nascimentos em uma comunidade inteira;
- Ele tem seguido as crianças, com pequenas amostras de conflitos, do período perinatal até o limiar da fase adulta.

Os objetivos do presente relatório são:
1- Fornecer uma perspectiva longitudinal sobre a capacidade das crianças para lidarem com o estresse perinatal, pobreza e psicopatologia parental;
2- Para examinar as diferenças sexuais na vulnerabilidade e resiliência nas primeiras décadas de vida;
3- Para identificar os fatores de proteção na criança e do ambiente de cuidado que diferenciam crianças em alto risco que são resilientes daquelas que desenvolvem sérios problemas de aprendizagem e de comportamento.

O PLANO DESTE LIVRO
Nós introduzimos o leitor para o cenário do estudo e os métodos usados para avaliar o estado físico e psicológico das crianças e a qualidade do seu ambiente de cuidado nos capítulos 2 e 3. Em seguida fornecemos um breve panorama de como era crescer estando vulnerável e examinamos as diferenças sexuais na vulnerabilidade e resiliência na primeira e na segunda décadas de vida (capítulos 4 e 5).
Nós, então, identificamos as características da pessoa e do ambiente de cuidado que distinguiram crianças em alto risco resilientes dos colegas da mesma idade e sexo que desenvolveram sérios problemas de aprendizagem e de comportamento. Nós apresentamos esses dados para cada um dos quatro segmentos do ciclo de vida (bebês, primeira infância, infância e adolescência) para as crianças que crescem em situação de pobreza crônica (capítulos 6-10) e para filhos de pais psicóticos (capítulo 11).
Subsequentemente, tivemos um olhar para as inter-relações, ao longo do tempo, entre variáveis significativas em relação à criança e ao cuidador, que contribuíram para a construção da resiliência em crianças em alto risco. Finalmente, apresentamos um modelo que mostra a inter-relação entre, por um lado, fatores de risco e eventos estressantes da vida que aumentam a vulnerabilidade e, por outro lado, os fatores de proteção na criança e no ambiente de cuidado que aumentam a resistência ao estresse.
As crianças e jovens resilientes contam suas próprias histórias em uma série de estudos de casos selecionados (capítulo 13). Nós fechamos o relatório com uma discussão sobre as implicações de nossos resultados para investigação e ação social (capítulo 14).
Ao longo deste livro, apresentamos vinhetas relevantes de nossos arquivos e entrevistas para ilustrar a interação entre o risco, eventos estressantes e fatores de proteção para o desenvolvimento de meninos e meninas resilientes. Esperamos, assim, apresentar um equilíbrio efetivo entre os resultados estatísticos do nosso estudo que mostram as tendências do grupo e histórias de vida individuais, que ilustram estabilidade e mudança no desenvolvimento humano. O leitor interessado é referenciado para o apêndice com um relato detalhado da análise estatística dos nossos dados, que inclui os resultados dos testes paramétricos e não paramétricos de significância, correlações, regressão múltipla e análises de função discriminante.

REFERÊNCIAS
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VULNERABLE BUT INVENCIBLE
A Longitudinal Study of Resilient Children and Youth
Emmy Werner – Ruth S. Smith
INTRODUCTION
And so I went on a journey to answer for myself a few questions: What are our most qualities? What sets us apart from animal and machine? From the masses and the monster? How can we believe in our infinite possibilities when our limitations are so conspicuous? And hope? What is this stubborn thing in man that keeps him forever picking the lock of time? … The odds are against him, the odds have always been against him, and he knows it, but he has never believed it…
Lilian Smith
The Journey (1954)

In the year in which Lillian Smith posed these questions, a team of pediatricians, psychologists, and public health workers began a search of their own that lasted more than two decades. As it happened to the poet, a few of our questions were never answered, and others changed into new questions along the way.
The children whose lives we followed from their prenatal period to young adulthood live on the island of Kauai, the “Garden Island”, at the northwest end of the main island in the Hawaiian Chain. They were born in 1955, when Hawaii was still a territory, and came of age when the islands had become the 50th state of the Union.
The population of this island is a kaleidoscope of ethnic groups: Japanese, Pilipino, part- and full-Hawaiians, Portuguese, Puerto Ricans, Chinese, Koreans, and a small group of Anglo-Caucasians. They are, for the most part, descendants of immigrants from Southeast Asia and Europe who came to Hawaii to work for the sugar and pineapple plantations. More than half of the children in this cohort grew up in families whose fathers were semi- or unskilled laborers, and whose mothers did not graduate from high school.
Our study began with an assessment of the reproductive histories and the physical and emotional condition of the mothers in each trimester of pregnancy from the fourth week of gestation to delivery. It continued with an evaluation of the cumulative effects of perinatal stress and the quality of the caretaking environment on the physical, cognitive, and social development of their offspring in infancy, childhood and adolescence.
In our first book about The Children of Kauai (Werner, Bierman & French, 1971) we presented a perspective on the magnitude of fetal and perinatal casualties in this community and documented the cumulative effects of perinatal stress, poverty, and a disordered caretaking environment on the development of children from birth to age 10.
Our main focus then was on youngsters who suffered from developmental disabilities – that is, physical handicaps, mental retardation, and serious school achievement problems – and our major concern was with prevention and early intervention.
In our second book, Kauai´s Children Come of Age (Werner & Smith, 1977), we examined mental health problems and antisocial behavior in childhood and adolescence, and the likelihood of their persistence into young adulthood. We documented the biological and temperamental underpinnings of these problems, the relationship between social class and vulnerability, the pervasive effects of caretaker-child interaction, and cultural differences in socialization.
Throughout our follow-up studies we focused on a combination of biological, social, and psychological factors that were predictive of serious coping problems and examined the responses of health, mental health, and social service agencies to high-risk children and youth.
The results of our study, based on a whole population of children in a community over two decades of their lives, provide us with a perspective that cannot be obtained from short-term studies of problem children. While this report focuses on the vulnerability of young people, we could not help but be deeply impressed by the resiliency of most children and their potential for positive growth. Most young people in this cohort were competent in coping with their problems, chose their parents as their models, found their family and friends to be supportive and understanding, and expressed a strong sense of continuity in family-held values attached to education, occupational preferences, and social expectations.
In this cohort of 698, however, 204 children developed serious behavior or learning problems at some time during the first two decades of their lives. Some were exposed to major biological insults that prevented adequate development; many more lived in chronic poverty, or in a persistently disorganized family environment that prevented normal integration. Frequently, several of these factors interacted and exposed these children and youth to cumulative stresses too difficult to cope with unaided.
Yet there were others, also vulnerable – exposed to poverty, biological risks, and family instability, and reared by parents with little education or serious mental health problems – who remained invincible and developed into competent and autonomous young adults who “worked well, played well, loved well and expected well” (Garmezy, 1976). This report is an account of our search for the roots of their resilience, for the sources of their strength.

HISTORICAL CONTEXT OF THE STUDY
After decades of concern with pathology, child-development research began to focus in the mid- to late- 1970s on self-righting tendencies in the human organism that appear to move children toward normal development under all but the most adverse circumstances (Sameroff & Chandler, 1975).
Major forces in this swing of the pendulum have been renewed interests in evolution and the new field of sociobiology (Freedman, 1979; Wilson, 1978), an outpouring of research on the competencies of infants (Osofsky, 1979), and a few longitudinal studies, begun shortly after birth, some of which are still in progress. They have provided us with an increased awareness of children´s coping skills, that is, their adaptation under relatively difficult circumstances in the face of challenges, frustrations, and threats (White, 1974).
Only a handful on the perspective studies of the development of children´s coping patterns have come of age, but they offer a perspective to the clinical profession that is more balanced, and that appears more hopeful, than the view glimpsed from retrospective investigations of children and youth with problems. Such “follow-back” studies have often created an unjustified impression of an inevitability of outcome.
Two types of investigations are especially relevant to our concern and will be discussed within the context of the findings of our own study. First, there is a handful of longitudinal studies that have extended over a decade or more, of normal children of above-average intelligence, living in predominantly middle-class and stable homes. Foremost among them are the Ego Resiliency and Growth and Guidance Studies of the Institute of Human Development at the University of California at Berkeley (Block & Block, 1980; Haan, 1977); the Coping Project of the Menninger Foundation in Topeka, Kansas (Murphy & Moriarty, 1976); the New York Temperament Studies (Thomas & Chess, 1977); and the Harvard Preschool Project (White, Kaban & Attanucci, 1979). Second, there are prospective studies of high-risk children exposed to reproductive risk, poverty, or parental mental illness (Anthony, 1978; Broman, Nichols & Kennedy, 1975; Garmezy, 1976; Rutter, 1979).
All have made us aware of the resilience of children, that is, their capacity to cope effectively with the internal stresses of their vulnerabilities (such as labile patterns of autonomic reactivity, developmental imbalances, unusual sensitivities) and external stresses (such as illness, major losses, and dissolution of the family). Even through the most stressful experiences in the most terrible homes, some individuals appear to emerge unscathed and to develop a stable, healthy personality.
Explanations for this emergence have been slow in forthcoming (Escalona, 1968). This state of affairs is, in part, due to a paucity of long-term studies of whole populations of children and, in part, to the models of human development that have influenced the collection and analysis of empirical data.

MODELS OF HUMAN DEVELOPMENT
In a state-of-the-art review, Garmezy (1974) noted that the determination of child as vulnerable or at high risk is derived from several basic models that have characterized speculations about the etiology of behavior disorders: (1) genetic predisposition, (2) pathological disorganization within the near environment (the family), or (3) within the molar (sociocultural) environment of the child, and (4) deprivation within the prenatal or neonatal periods.
When our study began in the mid-fifties, many developmental psychologists, child psychiatrics, and allied mental health professionals adhered to a main-effect model of child development. Its central premise was that constitution and environment exert influences on development that are independent of each others. Thus, most prospective studies of high-risk infants, for example, focused attention selectively on either biological risk (such as reproductive or perinatal complications) or environmental deprivation (such as chronic poverty). As time went by, long-range predictions based on such unilateral assessments proved to be disappointing.
In our longitudinal study on Kauai, it soon became clear that to venture a guess at (or predict) the probabilities of developmental outcomes we had to consider both the child´s constitutional make-up and the quality of his or her caretaking environment. Other investigators, especially those affiliated with the largest of the prospective studies of risk factors on the U.S. mainland – the Collaborative Perinatal Project (NCPP), sponsored by the National Institutes of Health – came to similar conclusions (Broman et al., 1975; Smith et. al., 1972). Thus, since the mid-sixties, more developmental researchers and mental health practitioners have turned to an interactional model of human development.
An added perspective has emerged since the mid-seventies, a shift from a static, linear model of interaction to a more dynamic transactional model (Sameroff & Chandler, 1975; Wertheim, 1978). This model of psychosocial development has roots in the Piagetian tradition and in general systems theory (Bertalanffy, 1968; Piaget, 1971).
From this vantage point the child´s development is perceived to be more than a simple reaction to the caregiving environment: It is an active, ongoing attempt to organize his or her world. The transactions between the constitutional characteristics of the child and the quality of the caregiving environment across time determine the quality of the outcome. Breakdown from this point of view is seen as a consequence of some continuous malfunction in the organism-environment transactions that prevents the child from organizing his world adaptively.
Given the apparently genetically programmed self-organizing and self-righting tendencies of the human organism (Waddington, 1966), two possible explanations have been suggested to deviant development. The first is that a severe enough insult to the organism´s integrative ability prevents the functioning of its self-righting ability; the second possibility is that adverse environmental forces present throughout development prevent the normal integration that would occur in a more favorable setting (Sameroff & Chandler, 1975). As we shall see, rather than being separate, these two sources of stress appear to be closely interrelated throughout the child´s development.
It is the balance between risk, stressful life events, and protective characteristics in the child and his caregiving environment that appears to account for the range of outcomes encountered in our study. The relative impact of these factors may differ, however, with the stages of the life cycle, the sex of the child, and the cultural context in which s/he grows up.

SOME DIRECTIONS FOR FUTURE RESEARCH
We do not as yet fully understand how children´s coping patterns are shaped by their situation and personality and how these patterns change during the course of development (Monat & Lazarus, 1977). We especially need to examine sex differences in the antecedents and correlates of resilience. There is fairly consistent evidence of sex differences in children´s responses to family stress (Rutter, 1970). Nationwide, reported rates of disordered behavior differ significantly for boys and girls, and the sex ratio of problem behavior changes form childhood to adolescence (Gove, 1979). Hence, we might also expect to find some differences in behavior characteristics and competencies that allow boys and girls to cope positively with life´s difficulties.
We have as yet only a few clues, mostly from case studies and autobiographies of the gifted (e.g., Angelou, 1970; Darrel, 1973; Goertzel et al., 1978; Wiesel, 1969), about the early sources of security that enable resilient man and woman to cope successfully with poverty, prejudice, and family disintegration in their childhood and youth. The long-term effects of these informal sources of support within the extended family, among peers, and in school, as well as the prevailing values system(s) that provide such security, need to studied more systematically in longitudinal research.
The few longitudinal studies that have followed children´s coping patterns into adolescence have deal with select and privileged sample of the human race: bright, urban, middle-class whites. Prospective studies of high-risk children include black children from poverty-stricken homes as well, but have, as yet, not come to age.
There is need, then, for a broader perspective, one which places children´s sources of competence and support in a wider sociocultural context. The Kauai Longitudinal Study provides a unique opportunity:
- It is based on a large, multiracial cohort of children.
- It represents all births in an entire community.
- It has followed the children, with little sample attrition, from the perinatal period to the threshold of adulthood.
The objectives of this report are:
1- To provide a longitudinal perspective on children´s capacity to cope with perinatal stress, poverty, and parental psychopathology;
2- To examine sex differences in vulnerability and resilience in the first decades of life;
3- To identify protective factors within the child and the caregiving environment that differentiate high-risk children who are resilient from those who develop serious learning and behavior problems.
THE PLAN OF THIS BOOK
We introduce the reader to the setting of the study and to the methods we used to assess the physical and psychological status of the children and the quality of their caregiving environment in Chapters 2 and 3. We next give a brief overview of what it was like to grow up vulnerable and examine sex differences in vulnerability and resiliency in the first and second decades of life (Chapters 4 and 5).
We then identify characteristics of the person and of the caregiving environment that distinguished high-risk resilient children from peers of the same age and sex who developed serious learning and behavior problems. We present these data for each of four segments of the life cycle (infancy, toddlerhood, middle childhood, and late adolescence) for children growing up in chronic poverty (Chapters 6-10) and for offspring of psychotic parents (Chapter 11).
We subsequently take a look at the interrelationships, across time, between significant child and caregiver variables that contributed to the making of resiliency in high-risk children. Finally, we introduce a model that shows the interrelationship between risk factors and stressful life events that increased vulnerability on the one hand, and protective factors within the child and the caregiving environment that increased stress resistance, on the other.
The resilient children and youth tell their own stories in a series of selected case studies (Chapter 13). We close the report with a discussion of the implications of our findings for research and social action (Chapter 14).
Throughout this book we present relevant vignettes from our files and interviews to illustrate the interplay between risk, stressful life events, and protective factors on the development of resilient boys and girls. We hope thus to present an effective balance between the statistical findings of our study that depict group trends and individual life histories that illustrate stability and change in human development. The interested reader is referred to the Appendix for a detailed account of the statistical analysis of our data that includes the results of parametric and nonparametric tests of significance, correlations, multiple regression, and discriminant function analysis.

REFERENCES
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